Um dos problemas mais comuns relatados na avaliação comportamental de adestramento (aulas de Educação Canina Online e Educação Canina Presencial em Porto Alegre) é o fato de o cão pular nas pessoas. Essa atitude — muitas vezes interpretada como um sinal de alegria do cão — acaba fazendo com que muitos sejam excluídos do convívio social, uma vez que, se tornam invasivos e desrespeitosos com os seus donos, com as visitas e até mesmo com pessoas que se aproximam na rua. Para controlar este comportamento, precisamos entender o que leva o cachorro a ter essa atitude e como podemos orientá-lo da melhor forma possível para que ele se torne um companheiro mais tranquilo e educado, diante das pessoas, tanto dentro de casa quanto na rua.
Não raramente, este comportamento inicia quando o cão ainda é filhote. Chegamos em casa e ele já vem nos receber na porta. Falamos com o cão, nos ajoelhamos no chão para abraçá-lo, fazemos carinho e ele acaba colocando as patinhas sobre o nosso corpo e subindo no nosso colo. Sem nos darmos conta, essa “festinha” que fazemos ao chegar em casa está alimentando um comportamento invasivo, agitado e ansioso do cão, que passará a repetí-lo toda vez que o reencontrarmos. Inicialmente, não parece um problema, uma vez que, ele é filhote e fofinho. Porém, todo comportamento que é alimentado, acaba sendo também aprimorado. O cão cresce e passa a se tornar mais intenso em seus pulos, e acaba sujando a roupa do dono, machucando com as unhas das patas, latindo e por vezes, se urinando, tamanha é a sua agitação. E então, o que parecia aceitável, passa a ser visto como um incômodo aos olhos do dono.
É preciso entender, que os cães não nascem com este comportamento. Se voltássemos o nosso olhar para uma matilha de cães, veríamos que a aproximação entre eles acontece de maneira mais respeitosa e tranquila, até porque comportamentos invasivos não são tolerados. Os que chegam mais exaltados, rapidamente, são “enquadrados” para que se mantenha um equilíbrio entre os membros. O fato de humanizarmos o nosso relacionamento com os cães, faz com que incentivemos comportamentos que não são naturais para eles.
Mas então, como fazer para que os cães parem de pular nas pessoas?
Para que os cães parem com este comportamento, devemos trabalhar em cima do que realmente alimenta este problema: a atenção dada no momento errado. Os cães possuem uma memória associativa, por isso, quando eles pulam e ganham carinho, entendem que para ganhar a atenção é preciso pular.
Portanto, ao invés de chegarmos em casa e falarmos com o cão ou darmos carinho quando ele pula — incentivando a agitação —, devemos ignorá-lo para que ele comece a perceber que o seu comportamento não será mais recompensado. Se mesmo assim, ele pular, precisamos ensiná-lo a respeitar o nosso corpo, mostrando imposição em nossas ações, como por exemplo, ao invés de recuarmos quando ele pula, devemos ir em direção ao corpo dele, exigindo o nosso espaço. O mesmo vale para quando estivermos sentados em uma cadeira ou no sofá. Se o cão colocar as patas no nosso colo, devemos levantar rapidamente e sentar novamente, dessa forma, mostramos através da nossa linguagem corporal que não aceitamos aquele comportamento. À medida que formos deixando de alimentar os pulos do cão, a tendência é que ele acabe desistindo de tentar chamar a atenção dessa forma.
Outra situação bastante comum é o fato do cão pular nas visitas. Ao “recepcioná-las”, o cão novamente é levado a um nível de agitação que normalmente é recompensado por quem chega, desencadeando a atitude de pular. Nesse caso, para impedir que o cão pule, precisamos ensinar a ele o comando limitador CAMA. Este comando tem por finalidade controlar os ímpetos do cão diante das diversas situações dentro de casa, dentre eles, o de ir até a porta, ter acesso às visitas e acabar pulando nelas. Aqui, é importante também, orientar as visitas a não darem atenção para o cão ao chegarem, facilitando, dessa forma, o seu controle sobre ele no ambiente.
Já na rua, para controlar o impulso do cão de querer pular nas pessoas que se aproximam para conversar com o dono, devemos ensiná-lo a permanecer sentado de maneira tranquila. Dessa forma, mantemos o cão sob nosso controle, evitando que ele tente pular ou ficar cheirando de forma invasiva a pessoa a sua frente. Orientar a pessoa que chega para não dar atenção ao cão, também facilita o controle dele diante deste tipo de situação.
Em resumo, podemos observar que a atenção é uma recompensa valiosa, que pode ser tanto utilizada para reforçar atitudes positivas quanto negativas, por isso, é preciso saber dosar. Comportamentos invasivos, como pular nas pessoas, podem ser corrigidos, conforme mostramos acima, porém exigem uma mudança de postura do dono também em relação ao cão. É preciso que o dono aprenda como funciona o comportamento canino para saber como controlar as atitudes do seu cão e assim torná-lo mais participativo do convívio familiar e social.